Ambos entendem que a sociedade é um todo unitário e orgânico, percebido a partir da base econômica que, no entanto, não pode ser restringida a ela, já que a ação política e a hegemonia atribuem influência sobre a sociedade. Proveniente desse juízo, Gramsci defende o enfrentamento do economicismo teórica e praticamente.
Para ele, as instituições da sociedade civil cumprem papel fundamental na elaboração e difusão da cultura. Gramsci, em Cadernos do Cárcere, volta-se para a construção e manutenção da hegemonia, a partir da direção cultural e moral que as classes imprimem sobre o todo social. Surge com isso o conceito de aparelhos de hegemonia, que estarão a serviço dessa ou daquela classe para persuadir e educar.
Daí que a comunicação dinâmica, ativa, proativa, de qualidade informativa ocupa cada vez mais um papel contundente na construção da sociedade justa, democrática, socialista.
Trata-se de um aparelho de hegemonia que é e pode ser usado, de maneira competente, na arte do convencimento. A qualidade com que se transmite a mensagem, determina a eficácia da afirmação, produzindo efeitos na atividade psíquica e mental de uma pessoa ou grupo, influenciando nas suas escolhas, atitudes e tomadas de decisão.
Neste ano, um importante e determinante confronto se achega. Nele estaremos optando pelo rumo que o gigante verde-amarelo irá trilhar. Se segue em frente, avançando no rumo do desenvolvimento, com justiça social e valorização do trabalho, ou se regressa para o obscuro passado de privatizações, desemprego e desesperança popular.
E é neste ano que uma extraordinária ferramenta comunicacional ganha descomunal protuberância: a internet, em especial, com a utilização das mídias sociais, que cumprem a ação de tecer redes amplas, comunicar-se com nossas teias e, a partir delas, fazer o encadeamento com a rede de nossos contatos.
Hoje já contamos com um sem-número de empresas que passaram a se especializar no envio de mensagens em massa, na forma de anúncios e campanhas publicitárias para as redes sociais. Também, diversos profissionais da mídia dedicaram-se a, primeiro, compreender e, em seguida, produzir o marketing utilizando-se dessa nova febre.
Hoje, são inúmeros sítios dedicados a entrelaçar as pessoas mas, acima de tudo, emaranhá-las na rede de afinidades que servem a esse ou aquele interesse comercial e/ou político. Através do cruzamento de informações, de perfis, de gostos, grupos sociais, etc, vamos sendo classificados virtualmente e sendo colocados em grupos.
Esse trabalho minucioso traça contornos comerciais, comportamentais, etc. E, depois disso, somos invadidos por uma enxurrada de anúncios que nos pegam exatamente por estarem de acordo com nossas aspirações.
Antes de criticarmos, nos rebelarmos com essa invasão de privacidade, precisamos compreender que tais inovações, se utilizadas com a finalidade de servir ao avanço da sociedade, pode ser um aparelho poderoso, por exemplo, na área da saúde. Ter o perfil de um grupo de pacientes de uma determinada chaga mundo afora, os recursos utilizados e os resultados obtidos, podem configurar na aceleração da descoberta de curas.
Além disso, do ponto de vista social, a rapidez com que a comunicação se perpetra pela rede mundial, propicia que a verdade passe a ter maior amplitude do que aquela que nos é imposta diariamente pela imprensa “oficial”.
Um exemplo disso, foi a vitória da blogosfera, no caso do comercial de aniversário da Rede Globo, clara e descaradamente, beneficiando a campanha do Tucano-demo José Serra. A rápida denúncia e mobilização fez com que o grande barão da mídia brasileira se acuasse e recuasse da veiculação da campanha (nem um pouco) subliminar, diante da reação popular que pipocou na internet.
Por isso, é imperioso que os sindicalistas, apoiados em profissionais de comunicação, cada vez mais e com maior ênfase, dediquem-se a ocupar os espaços (ainda democráticos) das mídias sociais, fazendo deles um ambiente de relacionamento e conscientização, disputar as mentes e os corações para impulsionar a sociedade para o progresso.
Postado originalmente em http://portalctb.org.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=9537
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