Não quero ser o dono da verdade, mas traçar um perfil do que vemos, ouvimos e sentimos sobre o movimento de mulheres no Estado do Amapá, chamamos assim para ficar o mais amplo possível, em vez de Movimento Feminista ou Emancipacionista que é uma fase mais avançada que “vivermos hoje”.
Conforme relatos o Movimento de Mulheres no Estado iniciou de forma organizada em meado da década de 80 do século passado, num movimento chamado contra a “CARESTIA”, estimulados por membros do PCdoB, PCB, PT ainda organizados dentro do PMDB, foram fundadas duas Associações de Donas de Casa que cumpriram papel importantíssimo naquela época, diga-se de passagem, foram vitoriosas.
Nos anos 90 as Associações das Donas de Casa perderam seu papel histórico, nessa nova conjuntura, a força política adquirida (acumulada) se dispersou, era necessário dá novas perspectiva nas lutas. Mas não houve uma força conseqüente capaz de guiar as novas tarefas – a então, ameaça do Neoliberalismo.
Somente no final da década de 90, aproximadamente de 1997 a 1999, quando o Neoliberalismo expressou todo o seu nefasto objetivo, a UBM tendo sua orientação política do PCdoB se propõem realizar a virada na luta do Movimento de Mulheres tendo como orientação a luta pela Emancipação, apresentando assim, uma perspectiva prolongada da luta pela superação do Capitalismo e não somente uma luta imediata e pontual.
Neste chamamento incorporou-se algumas militantes do PCdoB, PT, PSB e PDT, entidades com o COAM-AP e varias Associação de Moradores assumiram papel de proporcionar os meios matérias e políticos ao fortalecimento do movimento culminando na criação de inúmeras Associação de Mulheres e da Federação de Mulheres do Amapá-FEMEA, o primeiro núcleo da União Brasileira de Mulheres.
Concomitantemente nascia uma nova força motriz no movimento social e ocorria um aparelhamento das entidades ao Governo do Estado, as entidades do movimento social como um todo, exceto, sindicatos, ficam amarrados político e financeira em função de convênios realizado, o movimento deixa de ser pugnadores de políticas públicas e passam a ser braços e pernas as ações de Governo.
E hoje, qual movimento de mulheres que temos? Quais são suas lutas? Quais suas perspectivas? Que forças atuam no seio do movimento? E qual a tarefa da União Brasileira de Mulheres?
Após arrebatadora força da direita conservadora e o “triunfo” do neoliberalismo, a política equivocada do Governo do Estado para o movimento social de 1996 a 2002, temos um Movimento de Mulheres com forte tendência sexista, com lutas muito particulares, isoladas e com pouquíssima unidade, as direções das entidades não são plurais representativas, quase sempre dirigidas por um único Partido, ligadas a um ou mais executivo e legislativo.
No geral são centristas com forte presença de personalismo, sectárias e pouco influentes, é um quadro de crise de identidade e representatividade. Mas, paralelamente a esse momento, temos vetores favoráveis, a existência do Conselho Estadual de Direitos da Mulher - CEDMAP, da Secretaria de Estado Extraordinária da Mulher, a Coordenadorias Municipais de Mulheres e o resgate do dia da Conquista do Voto Feminino.
A existência destes aparatos são importante para fortalecer o movimento, mas é necessária esta vigilante a tentativa de aparelhamento estatal.
A tarefa que esta na ordem do dia é incutir as idéias Emancipacionistas nos movimentos de mulheres, é colocar luta do trabalho como principal bandeira, derivando daí as lutas por educação, saúde, saneamento, direitos e outras.
A UBM precisa ser fortalecida, ampliada e combativa. Ela é a corrente emancipacionista no seio do movimento e precisa travar as lutas políticas com bandeira conseqüentes, as luta de idéias contra as concepções machistas e atrasadas e se organizar entre as trabalhadoras, intelectuais e jovens.
2 comentários:
Fala evandro!!!
parabens pelo blog, vou te linkar...
o blog é um importante espaço de midia alternativa, pode ser bem aproveitado!!!
sempre que puder da uma passada no meu e contribui com os debates!!!
abraço
Obrigado camarada, saiba que Marx e Engels construiram boa parte de suas obras por correspondencias.
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