terça-feira, 13 de abril de 2010

A Gênese da opressão da Mulher (de Gênero)


“(...). Também os animais têm uma história, a de sua origem e desenvolvimento gradual até seu estado presente. Mas os animais são objetos passivos da natureza, e quando participam nela, isso se dá sem seu conhecimento ou desejo. Os homens, ao contrário, à medida que se afastam mais dos animais no sentido estrito da palavra, em maior grau fazem eles próprios sua história, conscientemente, e tanto menor é a influência que exercem sobre essa história as circunstâncias imprevistas e as forças incontroladas, e tanto mais exatamente há uma correspondência entre o resultado histórico e os fins de antemão estabelecidos,(...)”.

Friedrich Engels

O desafio que tenho aqui é tentar demonstrar de maneira clara a gênese (origem) da opressão da Mulher, este pequeno trecho de “A Dialética da Natureza” usarei para apresentar a que papel foi jogado a Mulher quando foi expropriada dos meios de produção, a “objetos passivos da natureza”, sem cair no determinismo econômico, mas transitar pelas questões políticas e ideológicas.

Apresento este tema por entender que ainda existem muitas dúvidas e poucas certezas, causando de vez ou outra algumas incompreensão na atuação do movimento emancipacionista, configurando a luta por direito como fim e não meios para acumular forças para tarefa da emancipação da humana. Para mim, compreender a gênese da opressão da mulher é também compreender qual é a luta principal (estratégicas) e qual é a luta que permite avançar para a estratégia.

No livro Estratégia e Tática, J. Stalin diz: “Mas no próprio movimento (...) encontramos dois elementos: o elemento objetivo, ou espontâneo, e o elemento subjetivo, ou consciente. O elemento objetivo, espontâneo, é formado pelo conjunto de processos que se desenvolvem independentemente da vontade consciente e reguladora (...). O aspecto subjetivo do movimento é reflexo, (...) dos processos espontâneos do movimento, é o movimento consciente e sistemático do proletariado para um objetivo determinado, (...) depende inteiramente da ação que orienta a estratégia e a tática”.

Este aspecto não é o central deste artigo, apenas levantei para justificar a escolha do titulo. Por se falar em titulo o livro “A origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado” de Engels, sugere que a Família é uma forma incipiente de Estado, que possui “leis” (regime jurídico) e que a propriedade (ainda não privada) é mantida por estes aparatos, jurídicos e ideológicos.

Antes de entrar no mérito da gênese da opressão da mulher é preciso destingui duais suposições amplamente difundida no movimento: uma afirmar que a opressão da mulher remonta ao momento em que o homem tem conhecimento do seu papel na reprodução da espécie; outra ao momento em que a mulher é expropriada dos meios de produção, ambos falam no desenvolvimento das formas de famílias das poligâmicas a monogâmicas, a primeira apresenta um caráter natural e a segunda histórico.

Quem corrobora esta segunda idéia a meu vê é Clara Araújo[1] “a primeira oposição de classe coincide como desenvolvimento de antagonismos entre homens e mulheres. E a primeira forma de opressão consiste na opressão do homem sobre a mulher, quando esta perde o controle sobre o trabalho” ou seja, dos meios de produção.

A teoria marxista divide a sociedade em classes, uma dominante e outra dominada, a dominante possui os meios de produção e toda superestrutura jurídica-ideológica e a dominada é uma mera mercadoria (objeto) de sua satisfação.

Portanto, este análise apresenta que a origem da opressão da Mulher tem base econômica, mas não desligada das questões ideológicas (regime jurídico, família, religião e etc), Engels em sua obra (origem da ...) comenta que no aspecto da tradição (ou regime jurídico), a transição do Direito Materno para o Partido foi uma de suas expressões também ocorrida apos a mudança na base econômica. Tento demonstrar que as mulheres são duplamente oprimidas; oprimidas pelo sistema (modo de produção capitalista) e pelos homens, tendo assim, duas grandes tarefas: a de sua emancipação e a de construção da sociedade socialista.

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