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O povo brasileiro, segundo Darcy Ribeiro, “o brasileiro é um povo novo, por que surge como uma etnia nacional, diferenciada de suas matrizes formadoras, singularizada pela redefinição de traços culturais e dinamizada por uma cultura sincrética devido a grande mestiçagem. Um povo que se vê e que é visto como gente nova, diferente de todos os já conhecidos. Possuidor de uma alegria e espantosa vontade de felicidade que, num povo tão sacrificado, alenta e comove todos os brasileiro.
No livro (o Povo Brasileiro) Darcy Ribeiro, começa com uma análise do processo de gestação étnica que deu nascimento aos núcleos originais que, multiplicados, vieram a formar o povo brasileiro. Faz um estudo das linhas de diversificação que fixaram nossos modos regionais de ser, e conclui com uma crítica do sistema institucional instalado no Brasil – a propriedade fundiária e o regime de trabalho – no âmbito do qual o povo brasileiro surgiu e cresceu, constrangido e deformado.”
Este Povo Novo, oriundo de outros três povos: O Europeus (principalmente Portugueses); Índios (nativos); e Negros (africanos), constituíram uma cultura, uma sociedade, uma religiosidade, em fim, um sincretismo sócio-cultural único, de uma unidade nacional, formando uma única nação e fortalecendo a questão nacional e o Estado Brasileiro, deformado peles interesses privados de uma pequena elite capitalista, seja, independente de raça, mas, fundamentalmente de classe.
O Movimento Negro no Brasil se constitui em uma dualidade que a meu vê, impedi o desenvolvimento das lutas unitárias com bandeiras “ÚNICAS”, que mesmo, assim, se consolidou no cenário das lutas sociais do Brasil. Seu combate contra o racismo, chega ao século XXI de modo bastante forte e atuante. Numa demonstração de importância em relação ao conjunto dos movimentos sociais.
A discriminação racial, que é um dos principais problemas estruturais da nação brasileira, ganhou uma ampla visibilidade social. O que, de certa forma, forçou mais uma vez o debate sobre a questão racial no Brasil e a situação subalterna dos negros.
Entretanto, esse avanço não se deu de modo harmônico e consensual. Em muitos momentos o próprio movimento negro demonstra fragilidades em relação à sua unidade. Principalmente sobre a questão que envolve a relação classe/raça. De um lado, existem setores defensores de uma luta anti-racismo desvinculada com a questão de classe**, já que para eles, no Brasil o elemento determinante para a situação social de um indivíduo é muito mais racial do que classista. De outro, argumentam que no Brasil, assim como em qualquer outro país capitalista, a situação de classe interfere diretamente nas questões raciais. E neste sentido, a luta anti-racismo deve ser vinculada à luta de classes.
Claro que essas duas posições, que permeiam muitos dos debates internos do movimento negro, não parecem ser simples de solução. Tanto uma quanto a outra, apresentam boas argumentações, com diversos exemplos coerentes e legítimos. Todavia, ao invés de caminharem para uma posição consensual, elas assumem, quase sempre, a forma da polarização-oposição. Demonstrando que classe e raça não são elementos fáceis de conciliação. A pergunta que se pode fazer é: quais são os motivos para a existência dessa polarização interna no movimento negro?
Por um lado, esse conflito poderia até ser justificado caso os negros da sociedade brasileira estivessem inseridos nas diversas classes sociais de modo equilibrado, sem grandes assimetrias. Pois assim, não haveria como argumentar que o racismo é praticado independentemente da classe social. Isso poderia até acontecer, quer dizer, haver práticas racistas independente da condição de classe dos negros. Portanto, como não envolver a classe social na questão do racismo?
Por outro lado, a situação do negro brasileiro foi, por um bom tempo, desmerecida pelo movimento social/operário, defendia a tese de que a questão do racismo era uma questão puramente de classe. Tal postura, certamente, acabou distanciando o movimento negro das lutas de cunho classista.
De certa maneira, o que acontece nos dias atuais referente à recusa de parte do movimento negro em considerar a questão de classe, assemelha-se ao que o movimento social/operário fez tempos antes com a luta do negro. ambos, estiveram ou estão em direções equivocadas.
“No Brasil classe e raça são dois elementos explosivos e revolucionários e que por isso devem ser unidos. Simbolicamente o 1º de maio dia do trabalho e 20 de novembro dedicado a Zumbi, representam os laços econômicos, morais e políticos que prendem os oprimidos entre si e subordinam todas as suas causas a uma mesma bandeira revolucionária. Assim, devem saber que o “preconceito e a discriminação raciais estão presos a uma rede da exploração do homem pelo homem e que o bombardeiro da identidade racial é prelúdio ou o requisito da formação de uma população excedente destinada, em massa, ao trabalho sujo e mal pago...” (Florestan, 1989, p.28)
A questão exposta pelo autor, está centrada na idéia de que o operário negro necessita superar dois tipos de ideologias que as classes dominantes do capitalismo criaram. A primeira corresponde à idéia de que o pobre não se torna rico devido tanto à sua vida mundana, quanto à falta de parcimônia com relação aos seus ganhos. A segunda relaciona-se à idéia de que os negros fazem parte de uma raça inferior, não dotada de razão e civilidade, em relação aos brancos. Então o negro operário dos dias atuais carrega nas costas o peso de duas fortes ideologias, produzidas pelo capital, a de que ele é “mundano” e “inferior”.
Assim, os negros possuem uma tarefa dupla, a de desvendar os motivos pelos quais são operários e também pelos quais são submetidos ao racismo pelas elites em geral, mas fundamentalmente a branca. Tais reivindicações fazem parte de um profundo e amplo projeto de nação realmente revolucionário, pois tem como objetivo desmistificar a realidade criada pelas elites do Brasil. Portanto, os negros têm como tarefa “limpar” da nação brasileira parte significativa das formas estranhadas de entender a sua sociabilidade. E neste sentido, um dos primeiros obstáculos a ser superado corresponde à teoria da existência de uma “democracia racial”.
A desmistificação dessa idéia de convivência pacífica entre as raças no Brasil, este primeiros passo que o movimento negro tomou como forma de fortalecimento. Em seguida, ele deveria construir um movimento de oposição à ideologia dominante, criando assim suas bases político-culturais de combate não apenas ao racismo, mas também ao capitalismo.
Aqui fica evidente que a chamada “democracia racial” não teve como alvo apenas as classe dominantes, em sua maioria branca, seus propósitos ideológicos também penetraram de modo devastador entre os negros. Em conseqüência, percebe-se o aprisionamento de parte desses indivíduos em certos paradoxos que conduzem à negação de si próprio. Não conseguindo se ver como de fato são vistos pelos brancos.
Não me proponho a negar ou estabelecer o que é principal ou secundário, nas lutas do movimento negro, mas, fornecer uma sistematização de idéias que totalize a visão ideológica, que parta da abstração, da condição de negritude e a questão de classe, na formação do povo brasileiro, de que luta não é contra os “Brancos” e sim, ao sistema capitalista que oprime e detém os instrumentos (Estado- aparelho ideológico) a seus serviços e interesses.
A nação brasileiro que não é uma “Democracia Racial”***, mas também não é uma “Segregação Racial” e sim, umsegregação social, imposta pelo sistema (modo de produção) agressivo, expropriador, nefasto, excludente, anti-civilizatório, fascista, machista, sexista, explorador e etc, que o capitalismo, tornado tarefa principal e não primeira e nem exclusiva.
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